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Graduado em Historia.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

KARL MARX ESTAVA CERTO: A CRISE ECONÔMICA CONFIRMA.



KARL MARX

Procurava um tema para trabalhar a filosofia econômica, principalmente de Adam Smith, Karl Marx, Escola de Chicago e John Maynard Keynes,mas que fosse atualizado com a conjuntura econômica de crise mundial. Tive a felicidade de encontrar o texto do Professor Laurício Neuman, mestre e doutor em educação da Escola de formação fé, política e trabalho – diocese de caxias do sul, no dia 20 de março de 2011, domingo. O tema - “Para entender a crise mundial do capitalismo”. Este tema dialoga com a crise de 2008 e conecta com a crise econômica mundial deste ano (2011).  Para se concretizar a realidade global da crise disponibilizo o texto da entrevista do Ministro Guido Mântega da economia do Brasil que foi publicado no dia 13 de outubro deste ano. O tema: “Governos europeus devem socorrer bancos para evitar nova crise, diz Guido Mantega” editado por Daniela Fernandes. O ministro pede ação imediata da união européia política. Na sequência anexo o terceiro texto “os grandes bancos e a crise”. Artigo de Orlando Delgado Selley, de 16 Outubro, 2011, professor de economia da Universidade Autónoma da Cidade do México, publicado no jornal mexicano La Jornada, traduzido para português por Carlos Santos para esquerda.net.
1ª - A crise financeira que abalou os Estados Unidos, a partir de outubro de 2008, e que se alastrou por todo o mundo, nos incita a refletir sobre os rumos do capitalismo e sobre a maneira como a economia é conduzida internacionalmente. Da mesma forma, uma das preocupações dos brasileiros hoje é entender de que forma nosso país será atingido por esta crise, quanto tempo ela vai durar e qual o preço que cada um vai ter que pagar.
A crise trouxe para o cenário várias questões de discussão como: a autoregulação do mercado; a utopia do livre mercado; o fim do neoliberalismo; a lógica especulativa do mercado desregulado; as lições de Keynes e Marx, para entender as cíclicas crises do capitalismo mundial; o capitalismo como sistema que se alimenta e sobrevive às custas das crises; e as perspectivas da construção de uma nova sociedade.
Enquanto a era do pensamento único dá sinais de esgotamento, Karl Mar (1818 – 1883) e John Maynard Keynes (1883 – 1964), que, até pouco tempo, eram alijados do debate econômico, hegemonizado pelo discurso do mercado livre, sem controle, quanto menos regulado melhor, voltam ao cenário da discussão para contribuir, com suas idéias, na compreensão da crise financeira americana, com suas repercussões mundiais.
Antonio Prado, economista e professor licenciado no Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), explica que a crise financeira aconteceu porque “os bancos de investimento não tinham supervisão e, portanto, fizeram operações extremamente arriscadas, alavancando operações muito acima do seu capital. E, ao quebrarem, colocaram todo o sistema financeiro e a economia real numa situação de risco de colapso”. Quanto a discussão da utilização de dinheiro público para recuperar instituições privadas, como bancos, Prado sustenta que “não há outra saída neste momento. É preciso resgatar o sistema financeiro dessa situação de pré-colapso, rever as regulações e punir os responsáveis”. Citando Karl Polany[1], o economista explica que o mercado é uma construção institucional a partir do sistema político. Então, não existe “mercado auto-regulado”. O que aconteceu, durante bo século XX, foi uma “tentativa de reduzir essa regulação, a partir dos anos 1980 e 1990, e deu no que deu agora, nessa situação de completa desordem em Wall Street, mas que se espraia, se difunde, por todo o Planeta”.      
A Carlos Lessa, economista e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), considerando os altos e baixos do cenário econômico norte-americano, que deixou o mundo em alerta, se pergunta: “Será que o capitalismo chegou ao fim?”. Ele responde: “Não”, pois o capitalismo tem “recursos para minimizar a crise”. Porém, com tanta turbulência, aponta Lessa, o capitalismo vai “negar a sua ideologia de livre mercado, porque sofrerá uma intervenção do Estado para superar essa crise”. Ainda não há como medir os estragos dessa tensão, mas uma coisa é certa: “O Brasil já foi atingido”, garante Lessa, que justifica bolsa de valores caiu violentamente, o real se desvalorizou, a taxa de câmbio subiu, e as empresas brasileiras que têm empréstimos no exterior estão com muitas dificuldades de renová-los”. Segundo o economista, esses indicativos já estão comprometendo a economia brasileira de 2009, e, se medidas não forem tomadas, os brasileiros correm o risco de assistir a “uma bolha interna”. Quanto ao futuro, Lessa faz o seguinte prognóstico: “Duvido que seja possível manter o crescimento explosivo de vendas a crédito às famílias brasileiras. Elas se endividaram de maneira assustadora nos últimos dois anos, e agora, como vão segurar o pagamento de suas prestações com os juros subindo? O momento é cauteloso e o Brasil deve desenvolver políticas de controle de câmbio e de regulação das exportações”.
José Guilherme Vieira, economista e professor nas Faculdades Integradas Santa Cruz, de Curitiba, ao refletir sobre a crise financeira internacional, é taxativo: “Eu não recomendaria para ninguém se endividar agora. Daí para frente é tudo previsível: esfriamento da construção civil, desemprego, queda no setor de serviços, mais empresas em dificuldade, inadimplência, quebras, mais desemprego”. Vieira se considera um keynesiano ao defender a presença e a intervenção do Estado para “regular não só o sistema financeiro como também para defender a concorrência”. Além da regulamentação da economia por parte do Estado, a distribuição de renda também era uma variável chave no esquema de Keynes: “Para a economia, portanto, um programa como o Bolsa Família é extremamente positivo no seu esquema teórico”, lembra o economista. Ele considera a crise atual um mal sistêmico, pois, “além dos impactos naturais em todo o castelo de cartas que se erigiu em cima de créditos podres, os impactos mais imediatos nos setores da economia real se fazem sentir sobre aqueles que vendem a prazos longos (imóveis e automóveis) devido a um continuo encarecimento de crédito e redução de prazos para pagamentos”. No Brasil, o que pode acontecer, segundo o economista, é uma aceleração, por parte do governo, das obras do PAC para compensar o desaquecimento, sobretudo porque em 2010 tem eleição presidencial.
KEYNES
Luiz Antônio de Oliveira Lima, advogado, economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) nos traz o seguinte questionamento: “Se o Estado pode investir bilhões de dólares para salvar grandes instituições que assumiram riscos insensatos, por que não pode intervir para salvar milhões de americanos do risco eminente de perder suas moradias pela execução de hipotecas?” Na opinião dele, “Ressuscitar os ensinamentos keynesianos é, neste momento, a melhor alternativa para tentar conter a avalanche que se estende sob a economia mundial”. Por isso, ele propõe a retomada do modelo econômico proposto por Keynes, como uma “forma de se neutralizar o efeito da crise financeira sobre a economia real”. Segundo ele, Keynes já antecipou que “mercados financeiros não regulados seriam dominados por forças especulativas que poderiam, eventualmente, transformar a economia capitalista num verdadeiro cassino”. Para reverter esse quadro, embasado nas teorias do articulista do Financial Times, Martin Wolf, o professor Lima sugere três procedimentos: “a queda e a estabilização dos preços inflacionados para valores sustentáveis; a desalavancagem do setor privado americano que é extremamente alta para os níveis atuais; e o reconhecimento dos prejuízos resultantes para o setor financeiro”.
Fernando Ferrari Filho, economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sustenta que a “mão invisível” do mercado não funciona sem a “mão visível” do Estado. Em outras palavras, “a reestruturação do sistema monetário internacional precisa ser arquitetada de forma tal que o referido sistema não fique à mercê do livre mercado e, principalmente, da hegemonia econômico-financeira de determinado país”. Ferrari busca referências em Keynes e nos pós-keynesianos, dentre os quais Hyman P. Minsky,[2] para entender os turbulentos dias atuais: “um mundo globalizado e “financeirizado” e de livre mobilidade de capitais, a crise do subprime[3] é a expressão mais clara e contundente de como a demanda por riqueza financeira e especulativa (“securitizada” e “coberta”) acaba gerando crises econômicas”.
Leda Paulani, economista, professora da Universidade de São Paulo (USP), e presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política, afirma que Keynes lhe ensinou que a teoria do livre mercado não funciona: “Quanto mais deixado a si mesmo, quanto menos regulado, tanto mais forte desponta sua tendência de se enroscar em suas próprias pernas, gerando crises como essa de agora”. Keynes, como crítico do livre mercado e amante da sociedade organizada pelo mercado, entendeu que para salvar o capitalismo de si mesmo era preciso que o Estado se orientasse por uma outra lógica distinta da mera busca do lucro e que monitorasse permanentemente a máquina capitalista. Marx desconfiou tanto quanto Keynes da capacidade do sistema capitalista de produzir harmonia e simetria, enfatizando, inversamente, sua tendência a produzir desproporções cavalares, enormes concentrações de capital, miséria extrema e crises abissais, avalia criticamente Paulani. Como Carlos Lessa, a economista Paulani também se pergunta: “Depois de tantas oscilações na economia mundial, chegou a hora de vislumbrarmos o fim do capitalismo? Ou essa é apenas mais uma das acentuadas crises que compõe o sistema financeiro internacional?” Embora muitos marxistas estimem que o capitalismo esteja em crise há quase meio século, a economista Leda Paulani afirma o contrário: “Creio que o reinado financeiro ainda durará por um bom tempo, primeiro porque, por mais que a crise tenha debilitado essa poderosa riqueza financeira, ela ainda parece grande demais para deixar de impor seus requerimentos ao andamento material do planeta”. Seguidora das idéias de Karl Marx, a economista da USP explica que para Marx o “livre mercado esconde por trás de sua aparência de liberdade, igualdade e equilíbrio o contrário disso. Ele põe a aparência de liberdade porque todos são juridicamente iguais, proprietários de mercadorias, e parecem livres para vender suas mercadorias a quem quiserem e se quiserem e para comprar o que quiserem, de quem quiserem e se quiserem. Ele põe a igualdade porque quando mostra que algo, uma bolsa, por exemplo, é igual a R$ 25,00, a venda da bolsa parece uma transação justa, em que se trocou valor de um tipo por valor de outro tipo. A aparência de equilíbrio vem da reiteração das transações mercantis (com suas trocas iguais) no dia-a-dia dos mercados, num movimento que parece poder repetir-se indefinidamente. Quando surgem crises da dimensão da que agora vivemos, elas não combinam com essa aparência idílica e denunciam a complexidade e as relações contraditórias que constituem o sistema capitalista”.
Luiz Gonzaga Belluzzo, advogado, economista, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e editor da revista Carta Capital, também sustenta a posição de que o livre mercado é uma utopia, pois “a história do capitalismo confirma isso”. E acrescenta: “Não há mesmo alternativa quando uma crise financeira sistêmica se desenvolve. Se não se decidir pela intervenção decisiva dos mercados, a crise pode avançar a um ponto que destrói completamente a capacidade de decisão dos indivíduos. A menos que a intervenção seja de tal ordem potente e abrangente, como, por exemplo, a estatização do sistema bancário”. Na prática, o economista se mostra bastante cético em relação às mudanças que se fazem necessárias, pois o “ambiente mental e ideológico que hoje prevalece é um obstáculo a uma mudança mais profunda. Não há nenhuma evidência de que as reformas necessárias serão implementadas facilmente”.
Álvaro Bianchi, cientista social, professor da Unicamp e diretor do Centro de Estudos Marxistas (Cemarx) acredita que o único conselho que capitalistas e liberais podem encontrar em O capital, de Marx, é que “deixem de ser capitalistas e liberais”. “A obra de Marx, e principalmente O capital, tem por objeto as contradições da sociedade capitalista e os limites postos ao capitalismo por essas contradições. São estas contradições econômicas, sociais e políticas as que provocam suas crises”, afirma Bianchi. Ele lembra que “Marx nunca achou que o capitalismo encontraria calma e pacificamente seu fim dando lugar a uma forma de sociabilidade que conseguisse expurgar as crises. Mas as recorrentes crises do capitalismo revelam as tendências autodestrutivas do próprio capitalismo. A escala dessa autodestruição não pode ser subestimada”. E acrescenta: “O retorno de formas pré-capitalistas de trabalho, como o trabalho escravo nas zonas agrícolas extrativistas, ou formas degradadas de salário, com a remuneração por peça na moderna indústria, o aquecimento global e a invasão do Iraque são algumas manifestações dessa autodestruição”.
Marcelo Carcanholo, economista, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Marx e marxismo (NIEP-UFF), também reflete sobre as especulações econômicas em torno da atual turbulência internacional, como também sobre as possíveis mudanças no capitalismo. “O que ocorrerá daqui para frente? O socialismo, rumo a uma sociedade comunista?”, pergunta Carcanholo. Com pouca esperança, o economista responde que não existem garantias de mudança. Para ele, uma transformação no modelo econômico capitalista só vai ocorrer “se os seres humanos se propuserem a isso, e se, de fato, esse projeto for historicamente exeqüível”. Como estudioso de Marx e pesquisador do marxismo, Carcanholo, busca entender e explicar a crise financeira mundial a partir das lições de Marx: “A obra de Marx – em especial, O capital, que trata das leis gerais de funcionamento do modo de produção capitalista – não tem como objetivo construir uma instrumentalização político-econômica para resolver os momentos de crise da economia capitalista. Ao contrário, o que se pretende é mostrar como o processo de acumulação de capital, e mais especificamente suas leis (de tendência) gerais, pressupõe as crises econômicas, manifestem-se estas da forma que for”. Em outras palavras, explica o professor: “as crises não são anomalias do sistema, mas partes integrantes de sua lógica. O processo de acumulação de capital é cíclico, porque para cada fase de crescimento na acumulação de capital, as contradições aprofundadas nessa fase levam, inexoravelmente, a crises, e estas, por sua vez, produzem conseqüências que permitirão uma nova fase de acumulação de capital. Dessa forma, nem o capitalismo acabará, por si só, em razão de uma crise econômica – ainda que esta possa explicitar tanto as contradições do sistema que os seres humanos se proponham a transformar esse sistema social – e nem os crescimentos da economia são eternos”.
Paulo Nakatani, economista, presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP), membro do conselho editorial da Revista de Economia Critica, e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), de forma categórica sustenta que “Os escritos de Marx nos permitem entender que o desenvolvimento capitalista é o caminho para a destruição da própria humanidade”. Referindo-se aos defensores do livre mercado, que defendem que no capitalismo não pode haver crise, a não ser por fatores externos Nakatani responde que para “os neoliberais a “culpa” é sempre dos outros, nunca do capital”. “São estes economistas, naturalmente junto com políticos no poder, escolas, meios de comunicação etc. que capitanearam as idéias, proposições e políticas econômicas chamadas de neoliberais que nos conduziram à situação atual. Eles estão incrustados em todos os níveis e esferas da economia e do Estado, defendendo essas idéias, sugerindo as atuais medidas de intervenção e agravando ainda mais a crise do capital”, explica Nakatani.
Paulo Nakatani considera um equívoco o fato de os keynesianos e pós-keynesianos defenderem que o capitalismo, em maior ou menor grau, pode ser regulado pelas intervenções do Estado. “O principal equívoco deles, nesse caso, é que eles consideram que o Estado e o Mercado são instituições distintas e que uma pode intervir ou interferir na outra. Ao contrário das teorias marxistas do Estado, nas quais a sociedade capitalista é uma totalidade contraditória em sua própria natureza”, explica. Ele prevê que a atual crise pode gerar conseqüências ainda mais negativas, principalmente para o mundo do trabalho. Por exemplo, no contexto em que aparentemente há uma redução das desigualdades sociais e da miséria, a precarização do trabalho tende a aumentar com “a elevação da taxa de exploração do trabalho pela maior intensidade do trabalho, a super-exploração de trabalhadores da periferia do sistema pela deslocalização das firmas e pelo aumento da extensão da jornada de trabalho”, aponta o pesquisador. Além de estar “em guerra quase permanentemente em algum lugar do planeta, há décadas”, a naturais crise do capitalismo ainda vai “destruir ferozmente uma massa gigantesca de recursos”, prevê  Nakatani.
Para Claus Magno Germer, agrônomo, economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o atual momento de crise representa apenas uma certeza: “a continuidade da barbárie capitalista”, pois, para ele, “As crises não constituem anomalias do capitalismo, mas são uma das suas características mais fundamentais”. Seguindo a orientação marxista, ele lembra que Karl Marx, já advertia: “As crises financeiras não podem ser evitadas, embora possam ser atenuadas, ou acentuadas, em certa medida, pelo Estado”. Segundo Klaus Magno, a crise financeira em curso é prova concreta dos ensinamentos de Marx, a respeito da impossibilidade de reverter quadros como o apresentado no decorrer dos últimos meses. Mesmo com a adoção de inúmeras medidas para conter colapsos financeiros, “as crises sucedem-se porque fazem parte da natureza do capitalismo, e são por esta razão inevitáveis”, explica o economista. Marx dizia ainda “que medidas que se destinam a atenuar as contradições do capitalismo em nível, apenas as projetam para um nível mais elevado, no qual explodem em crises mais graves”. Nesse sentido, assegura Klaus Magno, a atual crise financeira, embora assustadora, é seqüência de outras crises monetárias, bancárias e financeiras do capitalismo.
Robert Kurz, filósofo alemão, historiador, pedagogo e redator da revista teórica EXIT! - Kritik und Krise der Warengesellschaft (EXIT! - Crítica e Crise da Sociedade da Mercadoria), ressalta a importância de Karl Marx para compreendermos o sistema capitalista e a crise financeira mundial, ao afirmar de forma contundente que “os recursos materiais e os agregados científico-tecnológicos, bem como as capacidades e necessidades humanas não podem mais ser comprimidas nas formas básicas do capital. Ou, como Marx o formulou nos Fundamentos da Crítica da Economia Política, ‘desaba o modo de produção baseado no valor de troca’; manifesta-se a ‘desvalorização do valor’ enquanto limite histórico da valorização do capital”.
André Filipe Zago de Azevedo, economista e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), prevê “um menor ritmo de crescimento econômico, especialmente das economias desenvolvidas” e “o aumento da inflação devido ao incremento dos preços das commodities agrícolas e minerais, impulsionados pela manutenção de elevadas taxas de crescimento nos países asiáticos”. Na sua avaliação, o economista faz a seguinte projeção: “embora o mercado financeiro tenha sido alvo de inseguranças e turbulências, não há motivos para pânico”. Segundo ele, a desaceleração das grandes economias “pode contribuir para aliviar o segundo problema”, ou seja, “o aumento de preços das commodities, reduzindo a pressão da demanda sobre alimentos e petróleo”.
Gilberto Dupas, membro da Comissão de Ética da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e do Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior (CONAES), afirma que a crise internacional afeta o Brasil de duas formas: “Primeiro, pela capacidade do Brasil de manter níveis de exportação da mesma magnitude em dólar que mantinha anteriormente, em função da queda da economia mundial. E, em segundo lugar, é preciso reconhecer que os efeitos desta queda da economia mundial caem sobre a própria renda interna, considerando que, se o país vier a crescer menos em 2009 (já se fala em números da ordem de 2 a 3%) evidentemente a expansão da renda deve acompanhar essa diminuição do crescimento”. Esses dois fatores, esclarece Dupas, afetam a renda e a demanda do país e dos brasileiros pois, “uma diminuição da demanda externa de commodities, o que afeta nossos volumes de exportação e, ao mesmo tempo, uma diminuição do crescimento da demanda interna em função de um menor crescimento do próprio país”.   
Roberto Camps Moraes, economista e professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), discorda de que a crise financeira atual seja produto da aplicação de princípios liberais. Ele defende que a crise atual não pode ser atribuída ao capitalismo e às idéias econômicas liberais. “Esta idéia é completamente falsa”, afirma ele. Em sua argumentação, Moraes explica que “a teoria moderna da política monetária, aquela em que se baseiam os grandes bancos centrais do mundo, e que nada tem que ver com as falhas regulatórias que foram responsáveis pela crise atual deve uma grande parte a alguns princípios básicos que foram defendidos por Milton Friedman nas décadas de 1950 a 1970 do século passado”.
 Em janeiro de 2009, os chefes de Estado das potências capitalistas, reunidos no Fórum Econômico de Davos, Suíça, admitiram que estavam enganados em relação a autoregulação do mercado e admitiram também a necessidade de reformular o capitalismo. Enquanto isso, no Fórum Social Mundial, no Brasil, também em janeiro de 2009, Boaventura de Sousa Santos, sociólogo e professor da Universidade de Coimbra, levantou o seguinte questionamento: “Se nós não dermos a solução, ela virá de Davos, com mais capitalismo e menos direitos. São eles que estão a pensar uma solução. Nós nos reunimos (no Fórum Social Mundial) desde 2001 e não fomos nós que derrotamos o neoliberalismo, ele cometeu suicídio. Eles estão lá (em Davos) pensando o que vai ser o capitalismo depois da crise. E nós, o que estamos fazendo?”.

2 - Governos europeus devem socorrer bancos para evitar nova crise, diz Guido Mântega.

GUIDO MANTEGA (MINISTRO)
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira em Paris que os governos europeus devem socorrer os bancos do continente para evitar uma nova crise financeira mundial, como ocorrida após a quebra do banco americano Lehman Brothers, em 2008. Segundo Mântega, a crise do setor bancário europeu é o principal assunto que deverá ser discutido na reunião em Paris, na sexta-feira e no sábado, dos ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 - grupo que reúne as economias avançadas e os principais emergentes.
De acordo com o ministro, a crise dos bancos europeus é mais grave do que se pensava há duas semanas e os outros temas do encontro poderão ficar para segundo plano. Além de cobrar decisões mais rápidas dos europeus em relação à recapitalização de seus bancos, Mantega afirmou ainda em Paris que a economia brasileira deverá crescer entre 3,5% e 4% neste ano.
Para 2012, a previsão de crescimento do PIB do Brasil é de 5%, disse o ministro.

Dilema e consequências

Mântega declarou que os governos e bancos europeus estão vivendo um "dilema" e "fazendo um jogo de empurra-empurra", onde cada um joga para o outro as medidas que devem ser tomadas para salvar as instituições financeiras. O ministro afirmou "compreender" a posição dos governos europeus de não quererem assumir sozinhos a conta da recapitalização dos bancos, que seria no final paga pelos contribuintes. Por outro lado, os bancos europeus, fragilizados com a crise das dívidas soberanas de países da zona euro, afirmam que não têm condições de arcar sozinhos com os recursos necessários para a sua recapitalização, em um cenário econômico deteriorado pela desvalorização de suas ações.
Bancos com fortes níveis de exposição às dívidas soberanas de países como Grécia, Itália, Espanha e Portugal provocaram uma crise de confiança nos mercados, que afeta a liquidez do sistema financeiro. "O crédito já se contraiu no cenário europeu. O mercado interbancário (de empréstimos entre bancos) secou. Os fundos americanos já retiraram seu dinheiro da Europa", diz Mântega. Nesta quinta-feira, o ministro francês das Finanças, François Baroin, declarou que os bancos terão "provavelmente" de aceitar perder mais de 21% de seus investimentos em títulos da dívida grega, montante definido em um acordo em julho e que já é estimado abaixo do necessário para salvar a Grécia da falência.
Mântega defende a idéia de que a crise do setor bancário não pode ser resolvida somente pelo setor privado. "Se todo o prejuízo for imposto aos bancos, isso poderá criar uma nova crise financeira, com consequências mais graves", afirmou o ministro. "A responsabilidade última é dos Estados. Até onde eles vão entrar (no capital dos bancos) ou deixar quebrar é problema deles. Eu não deixaria quebrar nenhum banco para não acontecer um novo caso Lehman Brothers", disse Mantega. Segundo o ministro, os governos e bancos teriam de dividir os problemas do setor. "Acho correto que se imponha perdas aos bancos. Mas os países europeus vão ter participar da capitalização dos bancos", disse o ministro.
3 - OS GRANDES BANCOS E ACRISE.
Sarkozy e Merkel, Berlim, 9 de Outubro de 2011 – Foto Joerg Carstensen/Epa/Lusa
                                      Sarkozy e Merkel, Berlim, 9 de Outubro de 2011 – Foto Joerg Carstensen/Epa/Lusa
O acordo Angela Merkel e Nicolas Sarkozy reuniram neste domingo (8 de outubro) e chegaram a um acordo para recapitalizar a banca europeia. Anunciaram também que proporão mudanças significativas nos tratados europeus e apresentarão um pacote de medidas anti-crise, que deve estar pronto na próxima cimeira do G-20.  Ratifica que para eles a prioridade não são as pessoas, mas sim os bancos. Os governantes europeus estão prestes a decidir que o projeto social europeu morra para que os bancos vivam. Após a falência do Dexia, um importante banco franco-belga-luxemburguês, os governantes europeus estão prestes a decidir que o projeto social europeu morra para que os bancos vivam.
Há 50 meses a bolha imobiliária rebentou. Os grandes bancos centrais primeiro pensaram que era como os rebentamentos de outras bolhas e que podia resolver-se injectando liquidez nos mercados financeiros. Após as generosas injeções foi ficando claro que desta vez tratava-se de um problema maior, associado ao funcionamento do sector financeiro. Na realidade, o que rebentou foi a forma de funcionamento dos bancos, tanto comerciais como de investimento, juntamente com um novo sistema financeiro, a banca na sombra, que surgiu para operar à margem de uma regulação já por si lassa. Em poucos meses a recessão generalizou-se nas grandes economias, com impacto nas emergentes.
Praticamente, todos os governos do mundo entenderam que era indispensável tomar medidas para deter a recessão. Além disso, entenderam que as intervenções fiscais tinham que ser coordenadas mundialmente. O G-20 concordou com substanciais planos fiscais destinados a reverter o momento recessivo da crise. Houve programas de resgate das empresas bancárias, nos quais se utilizaram recursos públicos para salvar interesses privados. A imperante onda privatizadora neoliberal, vigente apesar da crise, impediu que os governos exigissem que os bancos resgatados passassem para o controlo governamental. Assim, os grandes bancos conseguiram subsistir como negócios privados.
Dois anos depois do Agosto negro de 2007, as economias desenvolvidas superaram a recessão graças aos programas fiscais e monetários aplicados. Pouco a pouco, o resto das economias do mundo foram tendo resultados positivos na produção, sem que se apresentassem problemas significativos nos preços. O FMI advertiu que era preciso manter os estímulos fiscais, enquanto não se consolidasse a recuperação. Apesar destes apelos, os bancos europeus exigiram que os países sobre-endividados garantissem o cumprimento das suas obrigações de crédito. A Grécia, primeiro, e depois a Irlanda e Portugal, tiveram que ser resgatados pela União Européia para assegurar que garantiam os seus pagamentos aos bancos credores. Em troca, tiveram que reduzir drasticamente as despesas sociais.
Ao longo de 2010 na Europa, foi impondo-se como prioridade reduzir o défice fiscal e a dívida pública. Os mercados, isto é, os grandes investidores globais, ajudados pelas agências de rating, impuseram-se aos governos. Esta decisão política afectou o crescimento econômico e a população, que tinha sido protegida dos impactos da crise com a cobertura estatal. A austeridade fiscal e as privatizações procuravam abrir espaço orçamental para cumprir com as exigências dos bancos credores. O projecto social europeu, inclusivo e solidário, foi perdendo a sua definição, convertendo-se em desigual e concentrador.
Protegeram-se os bancos e os seus donos com os recursos que antes se destinavam à população mais atingida. Os bancos europeus, no entanto, fortemente comprometidos com as dívidas soberanas exigiram maiores juros, dificultando o cumprimento dos programas de contenção fiscal. Em Janeiro de 2011, os problemas tinham-se agravado. A recuperação econômica não se consolidou, de modo que a nova prioridade reduziu substancialmente o crescimento, complicando o cumprimento das metas fiscais.
Os problemas da zona euro ampliaram-se, abarcando a Espanha e a Itália, o que questionou a viabilidade da moeda única. O eixo franco-alemão foi respondendo com lentidão à crise da dívida soberana, contribuindo com isso para o incremento das dificuldades. A segunda volta do resgate grego, aprovada há meses pelos governos e ainda pendente da aprovação parlamentar em alguns países, demonstrou que as dificuldades não foram resolvidas e que é indispensável reestruturar essa dívida, reconhecendo perdas bancárias. Ainda que seja possível que o projeto social europeu subsista, isso não ocorrerá com estes governantes.
Artigo de Orlando Delgado Selley, professor de economia da Universidade Autónoma da Cidade do México, publicado no jornal mexicano La Jornada, traduzido para português por Carlos Santos para esquerda.net.
A política econômica segue o jogo de mercado global sem restrições as idéias filosóficas, como cego andando em um beco por um guia. Apesar do discurso e de um passado com discurso e praticas revolucionaria da presidenta Dilma, mas a Mao invisível é maior e pré determina as cartas da economia mundial como única sugestão de fórmula para a crise mundial, apesar de todo composto oposicionista de comunidades que radicalizam em uma saída de 180º graus para sair da crise e esgotamento do modelo econômico capitalista. Percebemos que das várias opiniões existem divergências quanto ao tempo de inicio, meio e fim deste modelo, mas vale ressaltar que os eventos de crises cíclicos são mais próximas diminuindo a cada vez mais o tempo, como afirmou Marx. Mas chegara um momento que não mais haverá intervalo, Além de estar “em guerra quase permanentemente em algum lugar do planeta, há décadas”, a naturais crise do capitalismo ainda vai “destruir ferozmente uma massa gigantesca de recursos, e então   a antítese deste modelo se concretizará com a precariedade dos meios de produções.
REFERÊNCIA
[1] Karl Polany é filósofo, economista e antropólogo. Nasceu em Viena, Áustria, em 25 de outubro de 1886 e faleceu em 23 de abril de 1964. É conhecido por sua oposição ao pensamento econômico tradicional. Uma de sua obras principais é A Grande Transformação, 1944.
[2] Hyman P. Minsky (1919-1996): economista americano pós-keynesiano, autoridade em teoria monetária e instituições financeiras. Foi membro do Departamento de Economia da Universidade de Washington. (Nota da IHU On-Line)
[3] Subprime: em bom português, “de segunda”. Enquanto as hipotecas prime foram concedidas aos bons pagadores, as subprime foram parar nas mãos de clientes de alto risco – aqueles com grandes chances de não efetuar os pagamentos e que nos Estados Unidos ficaram conhecidos como “ninja” (sigla em inglês para “sem renda, sem trabalho, sem bens”). (Nota da IHU On-Line)






Um comentário:

  1. Excelente post! Consegui realmente entender a crise atual =)

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